• Bruna Moraes

Fim de relacionamento e o sofrimento que não passa. O que pode estar acontecendo?

Atualizado: 24 de Mai de 2020


Quem experimenta este tipo de vivência tem dificuldades de imaginar um relacionamento futuro e uma vida feliz, a sua autoestima é prejudicada e constantemente pensa sobre o que deveria ter sido feito para que o desfecho fosse diferente, evitando o fim.

É normal e saudável sofrer após o término do relacionamento. A mente ou o mundo interno de uma pessoa funciona como um computador: o período de "luto" é como uma compilação de dados onde o sistema buscará restabelecer o "sistema interno" (mental, emocional), colocando tudo em ordem: o que foi aprendido no relacionamento, reconhecimento das dores e felicidades que foram vividas, identificação sobre que mudou em você mesmo e estabelecimento de um novo modo de viver (sem o parceiro). E com o tempo este "sistema interno" volta à sua normalidade dando à você a oportunidade de seguir em frente.

Mas e quando não dá pra seguir em frente? A última coisa que você deve fazer é se culpar. Vamos ver qual é o mecanismo que se dá neste misterioso "sistema interno" quando a dor não é superada.

Uma confusão, um conflito interno

Este "sistema interno" à que me refiro, nada mais é do que o seu inconsciente, suas emoções, seus sentimentos, normas e regras internalizadas... Estes habitam uma parte mais profunda da sua psiquê e não necessariamente podem ser acessados por você de uma forma consciente. Com relação à nós humanos, há muito mais entre o céu e a terra do que podemos imaginar.

E então o que estaria escondido e bagunçado aí dentro de você? Quando nos separamos de alguém o objeto do nosso amor não está mais presente e tudo que percebemos é uma grande vazio e assim sofremos. Na tentativa de ainda obter o prazer e o bem estar que sentíamos quando estávamos na relação, inconscientemente guardamos esta pessoa ou a relação dentro de nós, por não conseguirmos lidar com o vazio. É como se ela ainda estivesse presente, só que dentro de nós. É como os poetas dizem: "guardar no coração". Até aí normal. Só que se esta imagem ou sentimento que você guardou for distorcido (de uma maneira inconsciente), será difícil de se desvincular desta pessoa ou relacionamento.

No inconsciente são guardadas às verdades nuas e cruas, e inclusive seus sentimentos como realmente são. Então talvez a imagem e sentimento que você "guardou no seu coração" ou no seu mundo interno sobre este relacionamento ou pessoa, fala sobre raiva, ressentimento e até ódio. Esquisito? Nem tanto...o seu inconsciente, na tentativa de defender a "honra" desta pessoa ou relacionamento, reprime esta raiva ou sentimento negativo em relação à ela. Mas a raiva, como uma energia, não pode ser contida, por isso então tem que sair por alguma via. E o caminho que a raiva escolhe é o ataque ao seu ego, ou seja, você mesmo.

Se lembra que eu falei para você não se culpar? É por que deve ser o que você já está fazendo atualmente e não está sendo saudável. Em resumo, para defender o seu objeto de amor perdido você pode se iludir se percebendo como um problema, um inútil, uma pessoa que para sempre vai estar sozinha... Os sentimentos negativos tomam uma outra via, isso não é curioso? Eles vão parar em você mesmo! Na tentativa de defender o objeto de amor dos ataques da sua raiva (bem em um nível inconsciente), às vezes é bem mais fácil dizer que você mesmo é o responsável e não o parceiro (Já viu isso acontecendo por aí? É bem comum).

Então o seu "sistema interno" esta lutando e fazendo força para que os sentimentos negativos sobre a relação ou parceiro não sejam descobertos por você, pela sua consciência! E quanto mais o seu "sistema interno" se ocupa desta árdua tarefa, mais o tempo se passa e mais degradado você vai se sentindo. É como se o sistema estivesse em looping sem a possibilidade de concluir a tarefa.

E como sair desse looping? Se deixe ver as partes não tão boas do seu objeto de amor perdido, as partes não tão polidas, não tão legais. Veja as coisas como elas são, deixe seus sentimentos e verdades fluírem. Pode doer no começo, mas este poderá ser o início da sua cura.

Deixo com você, então, esta hipótese sobre o seu mal estar atual, veja se faz sentido na sua vida.

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