• Bruna Moraes

[Renato Russo] Como um psicólogo analisaria seus desenhos?

Atualizado: 4 de Jun de 2020


Neste final de semana visitei a exposição Renato Russo no MIS, São Paulo. Nela encontrei uma riqueza de objetos, desenhos e imagens que o traduziam como pessoa. Os desenhos diziam muito sobre sua personalidade e por isso achei interessante dividir com vocês possíveis interpretações. Então, como será que um psicólogo analisaria as produções deste artista? Com base no teste HTP, muito utilizado na clínica para interpretação por desenhos, vamos ver o que há para ser descoberto sobre Renato Russo.

Sem contornos

Esta é uma produção de Renato em sua fase adulta. As cores são vivas em não há contorno nenhum. Não há nenhuma representação ou desenho. São apenas as cores por elas mesmas. Interpretamos as cores como emoções, e se não há nada que as limite, poderíamos concluir que Renato era muito guiado por elas.

O que os desenhos dizem sobre a sua infância

O desenho de casas, árvores, plantas e animais são comuns na infância, e eles podem nos dizer um pouco sobre como esta criança se sente e de como percebe o mundo.

Um dos primeiros elementos que chamariam a atenção de um psicólogo neste desenho ao lado, seria a casa que não toca o chão. Uma hipótese seria de que Renato tinha uma visão idealizada do seu núcleo familiar, talvez fantasiasse uma família calorosa e acolhedora, como a chaminé já sinaliza. A chaminé pode ser a indicação de que há calor dentro da casa. E por outro lado Renato poderia sentir uma carência de afetos (de algum membro da família talvez), já que não há proteção na porta e nem na janela, são apenas dois buracos abertos. É como se torcesse para que alguém entre na casa para se juntar à ele. Outro aspecto interessante é que a árvore ocupa o primeiro plano e é bem maior do que a casa. A árvore simboliza o self, o si mesmo, de um modo bem inconsciente. Sua grandeza pode falar de uma compensação. Talvez ele teve que investir em si mesmo (ao modo de uma criança) já que não podia obter recursos do seu ambiente. A árvore e as flores também falam de uma riqueza interna que Renato podia ter já naquela época, uma tendência para o belo e para os sentimentos.

​​Sua realidade infantil

Já esta casa se encontra em contato com o chão. Um desenho que retrata sua perspectiva mais realista da família talvez?

Aparentemente o pai é uma figura muito significativa para Renato, dando ordens e limites. A mãe, que provavelmente está na janela da casa, mostra que a relação entre eles era de afeto e carinho: ela o recebe de braços abertos.

A representação do belo ainda tem lugar no seu desenho, e está um pouco mais guardada por uma cerca. Será que está protegendo o que há de belo na sua vida? Ou será que o belo é a própria defesa contra um mundo rigoroso?

"Variação Constante do Amor Infinito"

Esta ilustração, feita por ele já adulto, parece mais um diagrama que mostra um fluxo, uma lógica do seu mundo interno.

À cima de tudo estão as ideias representadas pelos símbolos. Na exposição do MIS, perguntei à monitora sobre os símbolos, o que eles significam? Ela explicou que eles representam uma ideia que foi muito importante para Renato e que em resumo seria: "Variação constante do amor infinito". Ela ainda diz que os organizadores presumem que este conceito de Renato fale sobre a sua sexualidade que era variável e que o amor que sentia era uma energia que não cessava. É como se ele vivesse sobre este signo. Abaixo, aparecem alguns velhos símbolos. Renato traz alguns dos seus elementos infantis como a árvore, a flor e a casa. Parece que uma parte da árvore (si mesmo) converge para a flor (beleza), que por sua vez aponta para uma caravela, a qual podemos interpretar como "expansão de horizontes", "descobrir outras terras". Então, tente seguir as setinhas a partir da árvore: a beleza é um produto de si mesmo e ela lhe dá a possibilidade de expandir seus horizontes.E foi o que ele fez. Ao mesmo tempo que sua arte é algo que vem de dentro, a expor lhe leva à outros mundos. Depois disso, no desenho, todos os elementos se afunilam à um coração que está em contato direto com uma casa. No final das contas, o afeto que experimentou com sua mãe, em casa, foi a base que fundou tudo o que veio depois.

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