• Bruna Moraes

[DARK] Sic Mundus Creatus Est Significado Psicológico?

A tradução da frase em latim "Sic Mundus Creatus Est" é em português "Assim, o mundo foi criado". Esta frase vem do texto da misteriosa "Tábua Esmeralda", que já foi interpretada por grandes nomes como Isaac Newton, Roger Bacon e Aleister Crowley.


"O que a mensagem da Tábua Esmeralda significa?" é a pergunta de um milhão de dólares. Os estudiosos dizem que este texto é uma tentativa pré científica de uma explicação sobre a criação do tempo, da matéria... de tudo.




O "Sic Mundus" em Dark


Na série Dark do Netflix a frase "Sic Mundus Creatus Est" é o nome da sociedade secreta de pesquisadores que tentam recriar essa matéria primeira, origem de tudo no universo, conhecida hoje como "Bóson de Higgs" ou "Partícula de Deus".


Na trama da história a confecção da Partícula de Deus daria a possibilidade de viajar pelo tempo/espaço para então chegar até o momento em que O Mundo Foi Criado.


Deste modo, acredita Adam (líder da sociedade), que as realidades paralelas (muito desastrosas por sinal) poderiam parar de se repetir infinitamente. Um looping.


E se eu te dissesse que este looping existe de verdade?



Você pode estar vivendo um looping


Pode ser bem comum viver um looping psíquico sem mesmo estar consciente disso.


Existe na psicanálise um conceito que se chama "compulsão à repetição".


A compulsão à repetição é um processo inconsciente que faz com que nós nos coloquemos em situações muito semelhantes repetidamente sem nos lembrar que isso já ocorreu e que o resultado foi desastroso.


Exemplos disso são as escolhas repetidas pelo mesmo tipo de parceiro amoroso que no final sempre parte seu coração; se colocar em situações em que repetidamente é acusado; se colocar em situações em que repetidamente é rejeitado, ganhar dinheiro e perdê-lo repetidas vezes, e mais inúmeras possibilidades.


"[...]o paciente não se lembra de nada do que ele esqueceu e reprimiu, mas ele o atua. Ele o reproduz não como memória, mas como uma ação; ele repete, sem saber, é claro, que está repetindo." - Freud

Esse conceito pode ser um tanto contraintuitivo. Você pode se perguntar "Como eu poderia 'querer o meu próprio mal'?". A teoria psicanalítica diria que sim, de um modo inconsciente você pode ir de encontro à dor e ao sofrimento de forma ativa.


À esse conceito Freud dá o nome de "pulsão de morte", que na verdade é uma das forças mais primitivas que nos habita.


A pulsão de morte é a capacidade de destruir, de usar a agressividade. Muito útil na hora em que é preciso se defender, colocar seu ponto de vista, liderar...


A destrutividade e agressividade não precisam ser apenas físicas, muito menos negativas. Mas no caso da compulsão à repetição é como se toda essa agressividade inata se voltasse para nós mesmos de uma forma muito engenhosa. E isso pode nos prejudicar.


Voltando ao looping...



"Assim, o trauma foi criado"


O seu universo psíquico trabalha de uma forma autônoma, não há como controlá-lo de forma consciente. Assim, quando um trauma é vivido, tudo (ou quase tudo) ligado à ele vai ser alocado em algum lugar inconsciente.


Esta é uma das manobras que a nossa psique faz para nos proteger da dor e do sofrimento.


E no momento em que o trauma é "arquivado" no inconsciente é que a possibilidade de um looping acontecer passa a existir.


Isso por que tudo o que habita o inconsciente continua vivo, intacto, como se o tempo tivesse parado.



E sempre quando há uma oportunidade a portinha que divide os dois mundos se abre.


O inconsciente é realmente um lugar onde o tempo-espaço não existe. E se o trauma ainda vive em algum lugar escondido, sem tempo e sem espaço, pode cruzar o portal e "invadir" o consciente.


É uma invasão silenciosa. Sem que percebamos o conteúdo traumático inconsciente sai andando por aí nas terras do consciente e começa a fazer escolhas, atuar e mudar o rumo das nossas vidas.


Nós não temos tanto controle sobre nós mesmos como achávamos.



Como parar o Looping


O primeiro passo é simples: se dê conta que estas situações acontecem repetidamente.

A personagem Claudia foi a pessoa que se deu conta de que tudo se repetia e que mesmo as tentativas de Jonas e Martha de "consertar" os erros que as realidades paralelas criavam, acabavam criando as mesmas repetições.

Quando nos damos conta que repetimos padrões temos a escolha de fazer diferente.


Além disso, quando se trata de nosso mundo interno e traumas, é preciso fazer o trabalho de luto.


O trauma se instala no inconsciente por que naquele momento era muito difícil (se não impossível) de resolvê-lo. Na infância ainda não temos muitas ferramentas para lidar com vivências tão impactantes e por isso as reprimimos.

Com mais idade e maturidade podemos revisitar o trauma e começar o trabalho de "cicatrização". É isso o que muitas vezes acontece na psicoterapia.


Quando o trauma é "cicatrizado", "resolvido", tratado, não mais passa despercebido pelo portal que divide o consciente do inconsciente.


E o principal: não atua em nossas vidas causando e repetições e estragos.



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